Toda a pesquisa feita para conhecer mais sobre Cora Coralina e entender a sua obra culminou na visão de uma instalação.
Acredito que tudo o que vivemos nos marca de algum modo. As nossas experiências vão sendo gravadas no nosso ser, na nossa mente e até mesmo no nosso corpo que de certa forma é a vestimenta da nossa alma.
Assim, a infância, a fase adulta e a velhice de Cora estão representadas plasticamente numa instalação que dá sequencia à exposição Cora Coração. Foi a resolução estética que encontrei para falar da biografia da poetisa goiana.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Sobre Cora, parte I
Falemos um pouco da homenageada.
Ana Lins dos Guimarães Peixoto era o verdadeiro nome de Cora Coralina.
Aninha ou Anica era a quarta filha de Jacintha e Franscisco e nasceu na casa velha da Ponte, ao lado do Rio Vermelho que corta a cidade de Goiás.
Cursou apenas 3 anos na escola de ensino primário da Mestra Silvina.
Naquele tempo, final do século XIX, meninas não precisavam de estudo. Bastava conhecerem as prendas do lar para arrumar um casório.
Muitos pais chegavam a proibir as filhas de estudar, assim não saberiam escrever cartas para os namorados.
Aninha se considerava feia, franzina e desprezada pelas irmãs mais velhas. Era muito observadora dos costumes do seu tempo desde pequena. E lia tudo o que lhe chegasse às mãos.
Através de seus contos e poemas relata como uma verdadeira repórter os fatos comuns das casas de Goiás, da casa velha da Ponte, as estórias dos becos e das igrejas.
Conseguiu notoriedade apenas na terceira idade, mas sempre escreveu, desde bem moça.
Aos 14 anos, fundou o jornal feminino A Rosa. Foi quando criou o seu pseudônimo Cora, de coração, Coralina, de vermelho.
Frequentava saraus, lia poesias. E foi num desses saraus que conheceu Cantídio Tolentino Bretas, delegado recém nomeado vindo de São Paulo.
Era o ano de 1911 e a jovem Cora estava para encontrar o seu destino...
Ana Lins dos Guimarães Peixoto era o verdadeiro nome de Cora Coralina.
Aninha ou Anica era a quarta filha de Jacintha e Franscisco e nasceu na casa velha da Ponte, ao lado do Rio Vermelho que corta a cidade de Goiás.
Cursou apenas 3 anos na escola de ensino primário da Mestra Silvina.
Naquele tempo, final do século XIX, meninas não precisavam de estudo. Bastava conhecerem as prendas do lar para arrumar um casório.
Muitos pais chegavam a proibir as filhas de estudar, assim não saberiam escrever cartas para os namorados.
Aninha se considerava feia, franzina e desprezada pelas irmãs mais velhas. Era muito observadora dos costumes do seu tempo desde pequena. E lia tudo o que lhe chegasse às mãos.
Através de seus contos e poemas relata como uma verdadeira repórter os fatos comuns das casas de Goiás, da casa velha da Ponte, as estórias dos becos e das igrejas.
Conseguiu notoriedade apenas na terceira idade, mas sempre escreveu, desde bem moça.
Aos 14 anos, fundou o jornal feminino A Rosa. Foi quando criou o seu pseudônimo Cora, de coração, Coralina, de vermelho.
Frequentava saraus, lia poesias. E foi num desses saraus que conheceu Cantídio Tolentino Bretas, delegado recém nomeado vindo de São Paulo.
Era o ano de 1911 e a jovem Cora estava para encontrar o seu destino...
segunda-feira, 27 de julho de 2009
O Processo Criativo

De volta da viagem a Goiás, as idéias fervilhavam na minha cabeça.
Estava completamente apaixonada por Cora e toda a atmosfera que a envolvia.
Já havia lido 3 livros da poetisa e trazia na bagagem mais um, "O Tesouro da Casa Velha".
Pesquisei mais sobre sua biografia. Cada vez mais o universo "corense" me fascinava.
Fui anotando tudo no meu caderno. Nos desenhos e anotações o projeto da exposição foi se apresentando a mim.
Já em Goiás, surgiram os primeiros croquis e as primeiras aquarelas.
Tirei muitas fotos: becos, praças, casarios, vielas, pedras, serra dourada, igrejas, chafariz, janelões, flores, céu, rio Vermelho, casa de Cora.
Achei importante retratar a cidade de Goiás, afinal ela contém toda a cultura que inspirou a sua mais ilustre cidadã.
Então passei o cenário vilaboense para o papel com a fluidez da aquarela.
A primeira parte da exposição já estava se esboçando.
domingo, 26 de julho de 2009
O Céu de Goiás
Mas não é um azul qualquer não...
É de uma intensidade,
de uma profundidade
que nunca vi em outras localidades!
De dia, aquela clareza toda adentra pela pele,
o sol aquece e queima em pleno mês de julho.
À noite, o olhar se perde
naquele veludo azul profundo
bordado de infinitos cristais.
E aquela aragem fresca nos envolve
como que para compensar
o intenso calor do dia...
É de uma intensidade,
de uma profundidade
que nunca vi em outras localidades!
De dia, aquela clareza toda adentra pela pele,
o sol aquece e queima em pleno mês de julho.
À noite, o olhar se perde
naquele veludo azul profundo
bordado de infinitos cristais.
E aquela aragem fresca nos envolve
como que para compensar
o intenso calor do dia...
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O céu de Goiás refletido no Rio Vermelho
sábado, 25 de julho de 2009
A Casa Velha da Ponte

Cora Coralina nasceu Ana, nome de tantas outras meninas da cidade de Goiás que tem como padroeira Santa Ana.Leonina, nasceu em 20 de agosto de 1889, filha de Da. Jacintha Luiza do Couto e do Desembargador Francisco de Paula Lins, na mesma casa que hoje abriga o Museu Casa de Cora Coralina, a velha casa da ponte.
A casa já tinha mais de 100 anos quando a pequena Ana nasceu. Contam que um inconfidente desgarrado da turma de Minas tenha morado por lá. O certo é que pertenceu ao capitão-mor de Villa Boa de Goyaz, Antonio Souza Telles de Menezes e serviu como escritório de cobrança do Quinto, imposto sobre todo o ouro extraído na região. Foi adquirida em leilão por um antepassado da família de Cora.
A construção é cercada de lendas de tesouros escondidos nas paredes, resquícios do ciclo do ouro.
(Aliás, os bandeirantes têm papel importante na história da cidade. Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva, fundador da cidade em 1722, fincou no solo uma alta cruz de madeira defronte aonde é atualmente a ponte da Lapa, pertinho da casa de Cora. Hoje existe uma réplica no local pois a cruz original encontra-se bem cuidada no Museu das Bandeiras, desde a enchente de 2001.)
Cora Coralina amava sua casa. Viveu sua infância e juventude nela, afastou-se por 45 anos, vivendo nesse período no estado de São Paulo. Retornou à casa da ponte para viver por mais quase 30 anos fazendo doces e escrevendo seus contos e poesias.
Foi morando na casa da ponte que Cora tornou-se famosa e era lá, com as portas sempre abertas
que recebia os turistas, os compradores de doces e onde dava suas entrevistas.
Eram as janelas da casa que sustentavam os tabuleiros com doces para secar, os quais corriam o risco de serem levados pela molecada vilaboense.
"Minha casa velha da ponte...asim a vejo e conto, sem datas e sem assentos. Assim a conheci e canto com minhas pobres letras. Desde sempre. Algum dia cerimonial foste casa nova, num tempo perdido no passado, quando mãos escravas a levantaram em pedra, madeirame e barro. Esquadrejaram tua ossatura bronca, traçaram teus barrotões na cava certa e profunda dos esteios altos, encaixaram teus linhamentos, cumeeiras, pontaletes, freixais, arrochantes e empenas, duras aroeiras, lavradas a machado,com cheiro de florestas, arrastadas em carretões de bois."
Cora Coralina
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Da minha viagem a Goiás
Goiás, coração do Brasil.
Brasileiro genuíno.
Cheiros, temperos, aromas de terra.
Muitas pedras, morros.
Religiosidade marcante.
Divino, igrejas.
Janelas... Quantas janelas!
Antigas, carcomidas, patinadas pelo tempo...
Ponte da Lapa, Rio Vermelho, vermelho.
Cora ainda espia pela janela e ora para o seu Rio Vermelho.
Dá pra sentir a sua presença na cozinha,
onde me sinto uma visita à espera do doce ficar pronto.
Goiás, velho Goiás!
Vila Boa.
Cidade agradável.
Cheia de novidades para o meu paladar.
Bolinho de arroz feito no forno para tomar com café quentinho.
E é doce, feito com a farinha do arroz.
Rosas de coco...lindas! _ Pecado comê-las.
Doce de limão galego com doce de leite, combinação audaciosa.
Experimentei o famoso empadão goiano com palmito de guariroba(AMARGA!).
E os alfenins? Delicadas esculturas de açúcar.
Realmente, não dá pra experimentar de tudo.
Quantos becos!
Ruas estreitas.
Pequenas ladeiras.
Muito sol. Muito sol. Mesmo!
Lá as senhoras andam com sombrinhas.
Palácio dos Arcos, sede do governo de áureos tempos.
Casa de Goiandira, artista das areias coloridas.
Museu das Bandeiras, recheado de história.
Goiás, velho Goiás.
Mistura perfeita das três etnias que formam o meu país.
Goiás de Anhanguera.
Goiás de tantos artistas.
Goiás de doces,
de rios,
de sol,
de pedras,
de igrejas,
de chafarizes,
de becos.
Goiás de história
e de estórias.
E agora,
Goiás de saudade...
Brasileiro genuíno.
Cheiros, temperos, aromas de terra.
Muitas pedras, morros.
Religiosidade marcante.
Divino, igrejas.
Janelas... Quantas janelas!
Antigas, carcomidas, patinadas pelo tempo...
Ponte da Lapa, Rio Vermelho, vermelho.
Cora ainda espia pela janela e ora para o seu Rio Vermelho.
Dá pra sentir a sua presença na cozinha,
onde me sinto uma visita à espera do doce ficar pronto.
Goiás, velho Goiás!
Vila Boa.
Cidade agradável.
Cheia de novidades para o meu paladar.
Bolinho de arroz feito no forno para tomar com café quentinho.
E é doce, feito com a farinha do arroz.
Rosas de coco...lindas! _ Pecado comê-las.
Doce de limão galego com doce de leite, combinação audaciosa.
Experimentei o famoso empadão goiano com palmito de guariroba(AMARGA!).
E os alfenins? Delicadas esculturas de açúcar.
Realmente, não dá pra experimentar de tudo.
Quantos becos!
Ruas estreitas.
Pequenas ladeiras.
Muito sol. Muito sol. Mesmo!
Lá as senhoras andam com sombrinhas.
Palácio dos Arcos, sede do governo de áureos tempos.
Casa de Goiandira, artista das areias coloridas.
Museu das Bandeiras, recheado de história.
Goiás, velho Goiás.
Mistura perfeita das três etnias que formam o meu país.
Goiás de Anhanguera.
Goiás de tantos artistas.
Goiás de doces,
de rios,
de sol,
de pedras,
de igrejas,
de chafarizes,
de becos.
Goiás de história
e de estórias.
E agora,
Goiás de saudade...
quarta-feira, 22 de julho de 2009
a idéia
Já faz algum tempo que Cora Coralina convive com o meu imagnário.
Naquela tarde de sábado, quando a vi pela primeira vez numa entrevista na televisão, aquela simpática velhinha de fala declamatória me chamou a atenção.
Lembrei de minha avó - imagine, nascida na mesma cidade de Goiás!- que me contava causos com cheiro de pequi e sabor de cajuzinho do mato.
Fui conhecer sua obra. Encanto total, me via passeando pelos becos estreitos de Goiás, adentrando as casas de paredes grossas e janelões, naquele calor intenso pedindo por uma sombra.
Cora nos fala de coisas simples do cotidiano e que poderiam acontecer em São Paulo, Minas, Goiás, em qualquer lugar. Vêm à nossa lembrança, a louça da avó, os quitutes da mãe, os sentimentos de criança, o contato com a natureza, as conversas com vizinhos, os amigos, a parentada...
O tempo foi passando e amadureceu em mim o projeto de uma homenagem à escritora através de outras artes.
Então, nasceu a exposição "Cora Coração", uma sincera homenagem a essa mulher forte, criativa, trabalhadora que nos deixou uma obra poética cheia de estórias que contam a história do interior brasileiro.
Foram 14 meses de pesquisa, contando com uma viagem à cidade de Cora ou de Anna Lins dos Guimarães Peixoto, mais tarde, Bretas.
A exposição inaugurará no mês de agosto, um dia após o aniversário de 120 anos da poetisa.
Neste blog vou contar sobre os preparativos para o evento e o quanto é gratificante para mim a oportunidade de realizá-lo.
Naquela tarde de sábado, quando a vi pela primeira vez numa entrevista na televisão, aquela simpática velhinha de fala declamatória me chamou a atenção.
Lembrei de minha avó - imagine, nascida na mesma cidade de Goiás!- que me contava causos com cheiro de pequi e sabor de cajuzinho do mato.
Fui conhecer sua obra. Encanto total, me via passeando pelos becos estreitos de Goiás, adentrando as casas de paredes grossas e janelões, naquele calor intenso pedindo por uma sombra.
Cora nos fala de coisas simples do cotidiano e que poderiam acontecer em São Paulo, Minas, Goiás, em qualquer lugar. Vêm à nossa lembrança, a louça da avó, os quitutes da mãe, os sentimentos de criança, o contato com a natureza, as conversas com vizinhos, os amigos, a parentada...
O tempo foi passando e amadureceu em mim o projeto de uma homenagem à escritora através de outras artes.
Então, nasceu a exposição "Cora Coração", uma sincera homenagem a essa mulher forte, criativa, trabalhadora que nos deixou uma obra poética cheia de estórias que contam a história do interior brasileiro.
Foram 14 meses de pesquisa, contando com uma viagem à cidade de Cora ou de Anna Lins dos Guimarães Peixoto, mais tarde, Bretas.
A exposição inaugurará no mês de agosto, um dia após o aniversário de 120 anos da poetisa.
Neste blog vou contar sobre os preparativos para o evento e o quanto é gratificante para mim a oportunidade de realizá-lo.
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