sábado, 25 de julho de 2009

A Casa Velha da Ponte


Cora Coralina nasceu Ana, nome de tantas outras meninas da cidade de Goiás que tem como padroeira Santa Ana.
Leonina, nasceu em 20 de agosto de 1889, filha de Da. Jacintha Luiza do Couto e do Desembargador Francisco de Paula Lins, na mesma casa que hoje abriga o Museu Casa de Cora Coralina, a velha casa da ponte.
A casa já tinha mais de 100 anos quando a pequena Ana nasceu. Contam que um inconfidente desgarrado da turma de Minas tenha morado por lá. O certo é que pertenceu ao capitão-mor de Villa Boa de Goyaz, Antonio Souza Telles de Menezes e serviu como escritório de cobrança do Quinto, imposto sobre todo o ouro extraído na região. Foi adquirida em leilão por um antepassado da família de Cora.
A construção é cercada de lendas de tesouros escondidos nas paredes, resquícios do ciclo do ouro.
(Aliás, os bandeirantes têm papel importante na história da cidade. Anhanguera, Bartolomeu Bueno da Silva, fundador da cidade em 1722, fincou no solo uma alta cruz de madeira defronte aonde é atualmente a ponte da Lapa, pertinho da casa de Cora. Hoje existe uma réplica no local pois a cruz original encontra-se bem cuidada no Museu das Bandeiras, desde a enchente de 2001.)
Cora Coralina amava sua casa. Viveu sua infância e juventude nela, afastou-se por 45 anos, vivendo nesse período no estado de São Paulo. Retornou à casa da ponte para viver por mais quase 30 anos fazendo doces e escrevendo seus contos e poesias.
Foi morando na casa da ponte que Cora tornou-se famosa e era lá, com as portas sempre abertas
que recebia os turistas, os compradores de doces e onde dava suas entrevistas.
Eram as janelas da casa que sustentavam os tabuleiros com doces para secar, os quais corriam o risco de serem levados pela molecada vilaboense.

"Minha casa velha da ponte...asim a vejo e conto, sem datas e sem assentos. Assim a conheci e canto com minhas pobres letras. Desde sempre. Algum dia cerimonial foste casa nova, num tempo perdido no passado, quando mãos escravas a levantaram em pedra, madeirame e barro. Esquadrejaram tua ossatura bronca, traçaram teus barrotões na cava certa e profunda dos esteios altos, encaixaram teus linhamentos, cumeeiras, pontaletes, freixais, arrochantes e empenas, duras aroeiras, lavradas a machado,com cheiro de florestas, arrastadas em carretões de bois."
Cora Coralina

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